A Inteligência Artificial (IA) como sujeito epistêmico? Uma análise crítica a partir da filosofia de John R. Searle
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- Autor : Valdimiro José Paque Resumo O presente artigo propõe uma reflexão crítica acerca da possibilidade de a Inteligência Artificial (IA) constituir-se como sujeito epistémico. Partindo do debate in
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- Inteligência Artificial, ciência, academia
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- #IA, #John Searle, #Inteligência Artificial, #Academus, #PesquisaCientífica
Autor: Valdimiro José Paque
Resumo
O
presente artigo propõe uma reflexão crítica acerca da possibilidade de a
Inteligência Artificial (IA) constituir-se como sujeito epistémico. Partindo do
debate inaugurado por Alan Turing, com o célebre “Teste de Turing”, até às
recentes concepções defendidas por desenvolvedores de IA forte em empresas como
OpenAI, Google, Microsoft ou Meta, discute-se a ideia de que “pensar seria
apenas seguir, de modo correcto, um programa de computação”. Tal perspectiva
sustenta a hipótese de que as máquinas poderiam replicar os processos
cognitivos humanos. Contudo, à luz da crítica de John Searle e do seu conhecido
“Experimento do Quarto Chinês”, evidencia-se a distinção fundamental entre
sintaxe (própria das máquinas) e semântica (inerente à mente humana). A investigação,
de natureza qualitativa e assente em estudo bibliográfico, analisa os
fundamentos filosóficos que sustentam ou refutam a concepção da IA como sujeito
de conhecimento e examina as implicações deste debate no contexto académico.
Conclui-se que, embora a IA seja uma ferramenta de grande potencial heurístico,
a sua actuação limita-se ao processamento sintáctico, sem verdadeira
compreensão. Assim, defende-se que o uso da IA deve ser orientado por critérios
ético-científicos, desencorajando posturas de “policiamento” [muitas vezes
presentes em Universidades], mas reconhecendo os limites ontológicos e
epistémicos que a separam da mente humana.

Palavras-chave:
Inteligência Artificial; John Searle; Epistemologia; Sintaxe e Semântica;
Filosofia da Mente.
O presente artigo intitula-se:
A Inteligência Artificial (IA) como
sujeito epistêmico? Uma analise crítica a partir da filosofia de John Searle.
Objectivo principal é analisar os fundamentos filosóficos que sustentam ou
refutam a concepção da IA como sujeito epistémico. Especificamente, queremos
examinar a proposta de Alan Turing e o seu “teste de imitação”, bem como
analisar a crítica de John Searle e o “Experimento do Quarto Chinês”, para
depois discutir as implicações da distinção entre sintaxe e semântica para a
epistemologia, e no final reflectir sobre as consequências académicas e éticas
decorrentes deste debate.
A questão de fundo que
orienta este artigo pode ser enunciada nos termos clássicos formulados por Alan
Turing: “poderiam as máquinas pensar?”. Trata-se de uma questão que, no plano
epistemológico, assume a forma: “A IA pode ser considerada um sujeito de
conhecimento?”. Este problema remete-nos a um debate histórico que atravessa a
filosofia da mente, a gnosiologia e a ciência da computação. Desde o célebre
“jogo da imitação” de Turing, em 1950, até às formulações recentes da chamada
IA forte, o tema nos dá a possibilidade de equiparar operações computacionais às capacidades
cognitivas humanas, que tem mobilizado tanto cientistas como filósofos. A
proposta de Turing inaugura a tese do “computacionalismo”, segundo a qual “uma
máquina devidamente programada poderia replicar, funcionalmente, os processos
mentais humanos”. Em contrapartida, John Searle, com o seu famoso “Experimento
do Quarto Chinês (1980)”, esclarece que a mera manipulação sintáctica de
símbolos não equivale a compreensão semântica, por isso que a IA não pode ser
considerada um sujeito epistémico.
A relevância deste tema
decorre do contexto actual de avanço acelerado da IA, que deixa de ser apenas
uma especulação filosófica para se tornar realidade concreta em diversos
domínios sociais e académicos. A reflexão crítica acerca do estatuto epistémico
da IA é, portanto, necessária para clarificar os seus limites ontológicos, bem
como para orientar o seu uso responsável na produção e validação de
conhecimento.
Do ponto de vista
metodológico a investigação é de natureza qualitativa, baseada em revisão
bibliográfica de fontes primárias (como Turing e Searle) e secundárias (Filho,
Pinheiro, entre outros), com uma abordagem analítico-argumentativa, procurando
reconstruir e confrontar os argumentos centrais do debate.
Quanto à estrutura, o
artigo organiza-se em três partes principais: a IA (conceptualização e fundamentos);
Alan Turing e o “jogo da imitação”, seguido de John Searle e o “Experimento do
Quarto Chinês” e no final tecemos nosso comentário sobre Implicações da crença da
IA como conhecedora, no contexto académico.
1. A Inteligência Artificial
(IA)
Segundo
(Filho, 2023, pág. 23), a palavra inteligência vem do Latim intelligere, que é composto de inter = entre e de legere = escolha. Nesses termos, “inteligência é a capacidade de
fazer boas escolhas”. Por outro lado o termo artificial é usada para indicar
que “um determinado produto não surgiu da criação divina (Teoria Criacionista)
ou da evolução natural das espécies (Teoria Evolucionista)” e que foi um
produto directo da invenção humana.
No
que tange à Inteligência Artificial (IA), a denominação se aplica quando “um
produto apresenta certos comportamentos ditos inteligentes, os quais são
resultantes da aquisição, manipulação e aplicação de conhecimentos acerca do
mundo, com o objetivo de buscar boas soluções para as questões associadas às
tarefas normalmente realizadas pelos seres humanos (classificação, predição,
controle, otimização e etc.). Por isso para (Filho, 2023, pág. 24) a IA visa
fazer os computadores realizarem, de forma inteligente, criativa, atenta,
optimizada e rápido, tarefas que no momento são bem realizadas por homens. Mas
o problema surge quando nesse actuar da IA nos perguntamos se nas suas acções,
os realiza porque compreende ou porque o faz às cegas, já que foi
programado?
1.1. O Debate Fundacional: Alan
Turing e a Possibilidade de Máquinas Pensantes
A
partir dos meados do séc. XX o pensamento sobre a possibilidade de as máquinas
pensarem ganhou lugar entre filósofos ou cientistas. Esse pensamento constituiu
um dos debates mais intrigantes na interseção entre filosofia da mente,
psicologia, gnosiologia (epistemologia) e ciência da computação. Ademais, o
alvorecer da Inteligência Artificial (IA) acrescida com a revolução tecnológica
(da IA) do séc. XXI trouxe avanços enormes. Por um lado brindou-nos por avanços
técnico “tao perfeitos” quanto a mente humana e, por outro, trouxe oportunidade
para que interrogássemos em que medida os novos processos computacionais
desenvolvidos poderiam ser equiparados a mente humana. Foi precisamente Alan
Turing que, em 1950, lançou as bases do debate, ao sugerir o seu célebre “jogo
de imitação”, que hoje em dia se conhece como o “Teste de Turing”. Foi a partir
dessa proposta que se multiplicaram teorias que sustentam que “uma maquina, ao
seguir correctamente um programa de computação, poderia replicar (conscientemente)
as capacidades cognitivas e humana”.
1.2. O “jogo da imitação” em
Alan Turing
O que
torna interessante o debate sobre o “teste” é que segundo Turing, no campo epistemológico,
a máquina poderia fazer o mesmo que o homem, o que significa que essas máquinas,
ou por outra, a IA é um sujeito epistémico. Para nós, essa conclusão,
averiguada nas suas particularidades é contestável. Mas, para não parecer debate in aere ou petitio principii, vamos “descer” e ler de perto o “teste de Turing”.
Ele escreveu em Inglês e, devido a nossa limitação no idioma, vamos preferir a
tradução espanhola de Cristóbal Fuentes Barassi (2010, Universidad de Chile).
Logo
no início do artigo Turing (1950, pág. 1) sugere-nos a pensar sobre a pergunta
“podem as máquinas pensar?”, cuja resposta deve advir de um pensamento
consciente sobre o que significa, claramente, os termos “pensar” e “máquina”. Para
Turing a definição dos termos não poder ser feita dentro dos parâmetros comuns,
com que temos lidado diariamente com esses termos, pois as conclusões serão óbvias,
de tal maneira que não nos conduziriam para a realidade à qual nos quer
despertar. Seriam conclusões como as obtidas pelas pesquisas estatísticas:
“sondagem Gallup”[1].
Face a isso propõe a reformulação da pergunta por outra, dentro de uma situação
que nos permita trazer as definições e tratar esses termos de forma pouco ou
nunca ambíguos.
Ele sugeriu
o que chamou “jogo da imitação”, em que idealiza três pessoas: um homem (A),
uma Mulher (B) e um interrogador (C), que mantém uma comunicação, mas estando
em quartos diferentes. O objectivo do interrogador é descobrir, entre os dois
interrogados, qual deles é homem e qual é mulher. O interrogador identifica os
seus interrogandos por etiquetas de “X” e/ou “Y”. Nessa tentativa de descobrir
qual é homem ou mulher, baseia-se em perguntas como: “X, ¿Sería tan amable de
decirme el largo su cabello?”[2], que a dirige a cada
um/a e, segundo as respostas, poderá
determinar qual deles é do sexo feminino ou masculino. O interessante neste
jogo é que “A” trata de ludibriar ao “C” para que este se confunda, ao mesmo
tempo que “B” trata de ajudar ao “C” (talvez dizendo a verdade) com resposta
como — “Yo soy la mujer, ¡no lo escuches!”[3] — para que seja fácil lhes
identificar. Ademais, as respostas dadas não podem ser por voz, mas sim por
escrito. Na possibilidade de dar-se por voz, devem ser replicados por um
terceiro (D). Chegando aqui Turing pergunta:
“¿qué
pasaría si una máquina asume el rol de A en este juego?” ¿Discriminaría
equivocadamente el interrogador con la misma frecuencia con la que lo hace
cuando el juego se juega con un hombre y una mujer?”[4]
Esta é a pregunta
que para Turing deve substituir a primeira: podem
as máquinas pensarem? A abordagem que vai seguir no artigo é resposta dessa
última. Esta última pergunta é que introduz a máquina dentro do campo epistemológico
em que actuam os humanos. A pergunta, por si só, nos impele a um “não”, que seria
uma afirmação, segundo a qual: a máquina actuaria da mesma forma como actua B,
e que C no final não saberia identificar/diferenciar o actual A (máquina) do B
(humano). Logo a seguir da pergunta, Turing
No
queremos sancionar a la máquina por su incapacidad de brillar en concursos de
belleza, ni tampoco castigar a un hombre por perder una carrera contra un
aeroplano. Las condiciones de nuestro juego hacen que estas incapacidades sean
irrelevantes. Los “testigos” pueden presumir, si lo consideran aconsejable,
todo lo que quieran acerca de sus encantos, fuerza o heroísmo, pero el
interrogador no puede pedir demostraciones prácticas
Como se nota, trata-se
de jogo de exercício intelectual, exercício gnosiológico. Se a máquina, no que
concerne ao intelectual, é capaz de fazer o mesmo que o homem, até da melhor
forma (rapidez, exactidão e perfeição), isso nos remete, segundo Turing, a
seguinte situação: “não poderia ser que elas [as máquinas] estejam fazendo algo
que poderia ser descrito como “pensar” mas é diferente daquilo que o homem faz?”.
Trata-se de uma pergunta importante em relação ao que Turing iria defender em
todo seu pensamento posterior. Talvez, o que há de importante no seu
pensamento, devesse a esse equívoco, de querer definir o pensar das maquinas
diferente da forma como pensam os homens e ao mesmo tempo que insiste em igualá-los
aos homens. Penso que será esse, já adianto, o calcanhar de Aquiles, com que é “flechado”
por J. Searle, como veremos. Como aceitar que o que fazem as máquinas é
descrito por termo pensar/compreender ao mesmo tempo que pensar é concebido noutras
perspectivas?
Voltando ao
contexto do jogo, na situação em que uma máquina substitui o sujeito “A”. Turing
é muito específico ou objectivo, quando se refere à máquina capaz de
pensamento. Para ele somente os computadores electrónicos ou digitais[6]
1.3. O desenvolvimento da IA
forte: comportamento inteligente e compreensão
Ante essas afirmações
ou conclusões à que Turing chegou por seu teste mental, também se preocupou em
averiguar as objeções que lhe poderiam ser dirigidas. As objeções são tratadas no
ponto 6 e, no total, são em número de nove, a saber: objeção teológica; objeções
dos filósofos; objeções matemáticas
(para frisar as limitações, com especial referência ao teorema de Gödel[10]
Depois
de apresentar o que considera falacionso no ponto 6, no ponto 7 faz um esboço
daquilo que ele acredita ser a vervedade sobre a questão, que na verdade, é confirmar que as máquinas podem pensar e por via disso serem
treinaveis. Segue o modelo lockiano da tábua rasa, para tratar
de construir uma “mente-ninho” [mente-criança] e escrever-lhe
conhecimento atravez de treinamento. São modelos seguidos por certos psicólogos
(condicionmento operante). Eis o seu parecer:
No será posible aplicar exactamente los mismos métodos de
enseñanza a una máquina que los que se le aplicarían a un niño normal […]. No
debemos preocuparnos tanto de las piernas, ojos, y otra cosas. El ejemplo de la
señorita Helen Keller demuestra que la educación puede producirse siempre y
cuando la comunicación en ambos sentidos entre maestro y pupilo se produzca de
una u otra manera. Normalmente, se asocian los castigos y recompensas con
proceso educativo. Se podría construir o programar ciertos niño-máquinas
simples basados en este principio. La máquina debe ser construida de tal manera
[…] que la señal de recompensa aumente la probabilidad de repetición de los
eventos que llevaron a ella. Estas definiciones no presuponen ningún
sentimiento por parte de la máquina. He hecho algunos experimentos con uno de
estos niño-máquinas, y tuve éxito en ensañarle algunas cosas, pero el método de
enseñanza fue demasiado poco ortodoxo como para que el experimento sea
considerado realmente exitoso. […] Es necesario por lo tanto tener algunos
otros canales de comunicación “no emocionales”
Chegando
aquí neste último ponto fica claro para nós que para Turing, as máquinas são
sujeitos epistémicos, daí que podem ser ensinados ou treinados a aprender,
desde que se faça dentro das regras propostas por Turing. Foi nessa linha que
se desenvolveu a IA forte , na ideia de que a mente humana actua como um
programa computacional.
Diante
do exposto, é evidente que as reflexões de Turing, especialmente a partir do
jogo da imitação, abriu caminho para a formulação do que mais tarde se
convencionou chamar Inteligência
Artificial Forte. A ideia central deste paradigma consiste em afirmar que,
se uma máquina pode executar operações cognitivas com eficácia funcional
comparável à do ser humano, então não se trata apenas de simulação de
inteligência, mas de um caso autêntico de mente artificial. Esta tese sustenta
que os processos mentais podem ser inteiramente explicados como processos
computacionais, isto é, como manipulação formal de símbolos segundo regras
algorítmicas.
A
noção de computacionalismo emerge aqui, acreditamos, como fundamento
filosófico: a mente humana não é senão um programa implementado no “hardware”
do cérebro. Assim, os estados mentais correspondem a estados funcionais, e a
diferença entre cérebro biológico e computador digital seria apenas de
substrato material, não de estrutura lógica. Esta perspectiva radicaliza a
proposta de Turing ao conceber que, do mesmo modo que uma máquina pode
substituir o papel do sujeito “A” no jogo da imitação, também pode desempenhar
todas as operações intelectuais do humano, desde que devidamente programada e
treinada.
Ora,
este ponto de chegada levanta inevitavelmente questões filosóficas decisivas.
Primeiro, porque pressupõe que compreensão
e consciência podem ser reduzidas a operações formais. Segundo, porque
tende a dissolver a distinção entre simular
e ser, atribuindo estatuto epistémico à máquina enquanto sujeito cognoscente.
Se Turing insinuava que uma máquina poderia “pensar de maneira diferente da
humana”, o computacionalismo sustenta que todo pensar é, em última análise,
computação. É precisamente esta ambição que suscita as críticas mais contundentes,
entre as quais se destaca o nosso pensador: John Searle, com o seu experimento
do “Quarto Chinês”, ao sublinhar a insuficiência da sintaxe para gerar
semântica.
2. John Searle[12]
e a crítica à IA como sujeito epistémico
John
Searle é conhecido pelo seu contributo na teoria dos actos de fala e pela
crítica ao reducionismo computacional da mente. Na filosofia da mente, área do
nosso maior interesse e núcleo do seu pensamento, encontra-se na defesa da intencionalidade _ a capacidade da
consciência de estar dirigida a algo _ como dimensão essencial e insubstituível
da experiência humana. É nesta linha que surge o célebre experimento mental do
Quarto Chines (1980), no qual Searle confronta a tese da Inteligência Artificial forte, segundo a qual um programa de
computador poderia “entender” ou “pensar” apenas pela manipulação formal de
símbolos (tabelas de instruções ou completude de Turing). Para Searle, tal
processo nunca passa da mera sintaxe; falta-lhe a semântica, ou seja, a
compreensão genuína que só a mente consciente possui.
2.1. O “Experimento do Quarto
Chinês”
De igual modo que
tentamos descrever o pensamento de Turing, para conseguirmos dialogar com ele,
faremos o mesmo com pensamento de Searle. De Searle preferimos o artigo: Mentes, Cérebros e Programas, publicado
pela primeira vez em 1980, trinta anos depois do artigo de Turing. Vamos
preferir a versão traduzida a português, por Cléa Regina de Oliveira Ribeiro
(Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, USP, 1994).
O ponto de partida
de Searle é: que significado psicológico
e filosófico devemos atribuir aos esforços feitos recentemente para simular
capacidades cognitivas humanas através do computador? Para responder a essa
questão também prefere distinguir dois tipos de IA: a forte e a fraca. Essa distinção é importante para Searle porque justifica
a orientação ou o foco da sua preocupação. De facto, o interesse de investigar
esse tema surge do problema suscitado pela definição da IA forte, pois segundo
a concepção dessa IA,
O computador não é meramente um
instrumento para o estudo da mente. Muito mais do que isso o computador
adequadamente programado é uma mente, no sentido de que, se lhe são dados os
programas corretos [lembremos o pensar de Turing] pode-se dizer que eles
entendem e que eles têm outros estados cognitivos. Conforme a IA no sentido
forte, uma vez que o computador programado tem estados cognitivos, os programas
não são meros instrumentos que nos capacitam testar explicações psicológicas:
os programas constituem as próprias explicações
Disso resulta que
toda a invocação de IA por parte de Searle, é em referência a IA forte, objecto
do seu estudo. Na sua abordagem invoca o trabalho de Schank (e companheiros)[13], que poderia ser aplicado
a vários projectos semelhantes, de modo especial, aos projectos de simulação de
fenómenos mentais que se baseiam na máquina de Turing. Ao tentar esboçar o
pensamento de Searle tratarei de ser o mais breve possível, para não me
alongar.
Searle supõe uma situação
com dois contextos históricos. Uma em que temos o seguinte contexto histórico:
“Um homem foi a um restaurante e pediu um hambúrguer. Quando o hambúrguer
chegou, estava torrado, e o homem furioso saiu esbravejando do restaurante sem
pagar e nem deixar gorjeta”. Consciente dessa situação, ao fazermos a seguinte
pergunta ao sujeito “A” (humano): “O homem comeu o hambúrguer?” a resposta mais
provável desse sujeito é que responda “Não”; e outra é desse contexto: “Um
homem foi a um restaurante e pediu um hambúrguer; ao chegar o pedido ficou
bastante satisfeito e na hora de ir embora deu uma boa gorjeta à garçonete
antes de pagar sua conta”. Ante essa situação, se perguntamos: “O homem comeu o
hambúrguer?”, o provável é que diga “Sim”.
Para Searle, a máquina
de Schank ou qualquer IA moderna, poderia responder essas perguntas e dar
respostas que humanos dariam, naturalmente. Por que elas têm a “representação”
do tipo de informação que os seres humanos têm sobre o que se pergunta (ex.:
restaurantes), desde que lhe sejam compartilhados com o contexto. O equívoco
dos partidários da IA (companhia Turing …) é que pensam que:
Desta sequência pergunta-resposta,
que não somente a máquina está simulando uma habilidade humana mas também que:
a) A máquina compreende a história e fornece respostas às questões; b) O que a
máquina e seu programa fazem explica a habilidade humana para entender
histórias e responder questões sobre elas
Para Searle os pontos A e B são insustentáveis.
E, para explicar o equívoco nos sugere o Gedankenexperiment
(experimento mental), que ficou conhecido como o “Experimento do Quarto
Chinês”. Searle
Searle se deparou
com objeções e, a causa principal delas parte do termo “compreensão”. Para ele compreender
significa a “posse de estados mentais (intencionais) como também em condições
de verdade desses estados (validade, sucesso) ”. As máquinas não sabem, nem
compreende o que fazem. A razão pela qual lhes atribuímos a compreensão
consiste em que estendemos as nossas “intencionalidades” para os artefactos.
Quer dizer: “Nossos instrumentos são extensões de nossos propósitos”
Ao aparecer com esta
crítica, Searle reafirmou um ponto filosófico decisivo: a consciência humana
não se reduz ao cálculo, nem a mente é um simples programa de computador.
3. O Problema do Conhecimento e
o Sujeito Epistémico (humano vs IA)
O
conhecimento é outro termo que merece a nossa atenção junto a sua forma verbal
conhecer. Do lat. cognoscere: procurar
saber. Nessa lógica, conhecer é uma actividade mental cujo fim é tornar o
objecto presente pelos sentidos à inteligência
Quando
analisamos a literatura em torno da matéria que fala sobre a possibilidade da
aprendizagem da IA, algo pode passar despercebido ou quando não, podemos nos confundir
com o que esses pensadores nos querem dizer sobre como a IA actua nos seus
processos de organização do conhecimento, por símbolos. Por exemplo, para Pinheiro
A sua
formulação empregando o verbo “criar” já nos influencia na interpretação, pois
pensaremos que nesse processo de “criação” ele actua como sujeito activo, por
isso capaz de conhecimento. Quer dizer, se
ele aprende da maneira similar que o homem, então ele é sujeito epistémico.
Não obstante, é surpreendente perceber que o mesmo autor
Ademais,
citando um dos artigos mais famoso _ Attention
is All You Need _ que precede e impulsionou as investigações sobre máquinas
generativas (ex.: chatGpt, …) esclarece: “ […] a diferença entre máquinas e
humanos: enquanto a criatividade da máquina reside nos algoritmos, a
inteligência real está na imaginação dos programadores que os desenvolvem”
O tema que nos sugerimos
investigar, A IA como sujeito epistêmico,
nos brinda com certas expressões ou termos que, antes, clamam a sua explicação
e entendimento para não trairmos o objectivo que nos propusemos no princípio. Se
um dos nossos problemas é saber se seria possível que a IA seja sujeito conhecedor,
implica antes sabermos o que pode ser um sujeito conhecedor; ou, em termos
simples perguntaríamos, em que condições temos um sujeito capaz de conhecer?
Um sujeito epistémico
diz-se daquele indivíduo que é capaz de construir certo conhecimento. Para
Descartes (Med. 2, AT 7:28, cit. por Newman, 1997) esse indivíduo poderia ser o
sujeito pensante, o cogito (ergo sum), a
consciência que ao duvidar descobre-se. Segundo Piaget a construção do
conhecimento é possível dentro das seguintes condições ou níveis: “dimensão
biológica; o construtivismo psicogenético, a interação dos fatores
sujeito-meio” (Newman, 1997, pág. 8). A dimensão biológica sugere-nos que só é
capaz de conhecimento o individuo dotado de “estruturas que se manifestam por
seu poder de assimilação (acções mentais) e acomodação (acções metais)” em
relação aos objectos.
Sobre o construtivismo
psicogenético temos de visitar e escutar Inhelder, Bovet e Sinclair (1977), que
falam da necessidade de “aproximações (contacto) sucessivas com o objecto que
se quer conhecer” (Newman, 1997, pág. 9), para fecundar conhecimentos, condição
sem a qual o objecto de conhecimento pode ser inacessível. Essas ideias são
também de Kant, segundo o qual o sujeito epistémico é o indivíduo que, não só
recebe as impressões do meio, as organiza através das formas a priori, de sensibilidade (espaço e
tempo) e das categorias de entendimento (B139-40, cit. por Stern).
Depois de recolher os
parecer desse filósofo sobre as condições pelas quais podemos falar do sujeito epistémico,
resta-nos agora perguntar, será que a IA participa das condições atrás
referenciadas? Nos parece claro que IA, não compartilha
a dimensão biológica de assimilação e acomodação, mas mostra-se capaz de aproximação com os
objectos de conhecimento, sempre quando fosse orientado por um sujeito humano.
Em Descartes notamos que a IA não tem consciência do
presente e sobre si, pois se não orientado a questionar-se nunca o
faria, quer dizer não tem acções intencionais. Se revisitarmos Kant, nessa
logica, percebemos que a IA não interage com o Meio,
mas é capaz de organizar informações
sobre determinado objecto, não através de formas a priori de sensibilidade conforme prescreve Kant, mas por meio
de deduções, induções e abduções, a partir de abordagens de “abordagem
supervisionado”, não supervisionado e por reforço
As máquinas modernas,
enquanto sistemas de IA, podem exibir comportamentos que mimetizam de forma
impressionante a acção cognitiva humana: responder
a perguntas, resolver problemas complexos, organizar informação e até criar
textos ou simular diálogo. Este desempenho pode ser descrito como
inteligência funcional, no sentido em que os resultados atingidos são, muitas
vezes, indistinguíveis daqueles produzidos por seres humanos. Mas, como disse
Searle a capacidade de manipular símbolos e produzir respostas apropriadas não
equivale a compreender. A IA opera sempre sobre a base da sintaxe e a
compreensão humana, pelo contrário, exige intencionalidade, consciência e
experiência do mundo; pressupõe uma relação activa com o significado. O sujeito
epistémico humano conhece porque participa activamente na construção do
conhecimento, interagindo com o mundo e atribuindo sentido às experiências,
como já evidenciado na filosofia de Descartes, Kant e Piaget.
4. Implicações filosófico-académicas
da crença em IA conhecedora
A reflexão filosófica
sobre os limites ontológicos e epistémicos da IA traz implicações práticas
imediatas e profundas, especialmente no contexto académico. Rejeitar a ideia da
IA como sujeito epistémico autónomo não significa desvalorizar a sua utilidade;
significa, antes, adoptar uma perspectiva crítica e responsável, que reequilibre
a relação entre tecnologia e conhecimento humano. O desafio para as
instituições de ensino superior não é instaurar um “policiamento” tecnológico
obsessivo e frequentemente inútil, mas sim fomentar uma cultura de uso
ético-científico, baseada em três pilares fundamentais: compreensão, ética da autoria e espírito crítico
Em primeiro lugar, a
compreensão da natureza da IA constitui a base para o seu uso adequado. A IA é,
fundamentalmente, um processador sintático _ um mecanismo sofisticado de
recombinação de dados _ desprovido de semântica,
intencionalidade ou ponto de vista próprio. Quando um estudante recorre a
um sistema de IA para elaborar um trabalho académico, deve perceber que o que
recebe não é um produto de reflexão genuína, mas uma recombinação de informação
pré-existente, organizada segundo critérios probabilísticos e algoritmos
programados por humanos. O papel do aluno não é reproduzir passivamente o output da máquina, mas iniciar o
processo interpretativo e reflexivo donde a IA termina: analisar, contextualizar, validar e conferir significado aos dados
fornecidos, quer dizer entender
Em segundo lugar, a ética
da autoria impõe-se como condição sine
qua non da integridade académica. Tal como acontece com qualquer fonte
bibliográfica, os conteúdos gerados por IA devem ser devidamente referenciados,
sobretudo o nível da sua participação
no texto trabalhado [correção ou escrita pura do texto]. Sempre que um texto,
uma ideia ou uma estrutura argumentativa se apoie significativamente num
sistema de IA, o estudante tem a obrigação ética e académica de indicar
claramente a origem, recorrendo a citações e referências adequadas
Por fim, o espírito
crítico emerge como o antídoto mais eficaz contra os riscos associados à IA.
Sistemas de IA, por mais sofisticados que sejam, operam segundo padrões
estatísticos e probabilísticos: podem gerar informação errada, reproduzir
enviesamentos presentes nos seus dados de treino ou construir argumentos
logicamente coerentes mas semanticamente falaciosos. Cabe ao ser humano _ único
agente capaz de verdadeira compreensão e julgamento de valor _ “verificar,
contextualizar e criticar” o output
da máquina.
A avaliação académica
deve centrar-se, portanto, não no produto final fornecido pela IA, mas no
processo cognitivo do estudante (o que entendeu daquilo que copiou), na sua
capacidade de análise crítica (qual é o teu parecer sobre o texto construído) e
na aptidão para reflectir eticamente sobre o conhecimento. a resposta da
academia à ubiquidade da IA não deve ser o medo ou a proibição, mas a
integração pedagógica consciente. Reconhecer a IA como ferramenta auxiliar
implica utilizá-la como geradora de ideias, facilitadora de síntese ou estímulo à reflexão [o novo modelo da
OpenIA usa método socrático], nunca como oráculo ou substituto da criatividade
humana. Ao promover a compreensão da sua natureza, a ética da autoria e um
espírito crítico rigoroso, as universidades não estariam a “policiar”, mas a
educar, preparando os estudantes para um futuro em que a capacidade de pensar
de forma autónoma, ética e crítica se revela infinitamente mais valiosa do que
a mera habilidade de operar uma ferramenta.
O percurso desenvolvido
ao longo deste pequeno artigo permitiu examinar de forma crítica a questão
central: pode a Inteligência Artificial
ser considerada um sujeito epistémico, capaz de pensamento e de
conhecimento genuíno? Partimos da proposta pioneira de Alan Turing, que, ao
formular o célebre “jogo da imitação”, inaugurou uma abordagem funcionalista e
pragmática do pensar em máquinas. Para Turing, a questão deveria ser
reformulada: não importa tanto se as máquinas “pensam” como os humanos, mas se
conseguem comportar-se de forma indistinguível de um ser humano em determinados
contextos comunicativos. Não obstante, a crítica de John Searle, articulada
através do experimento mental do Quarto Chinês, expôs uma limitação estrutural
dessa perspectiva. Ao sublinhar a distinção entre sintaxe (manipulação formal
de símbolos) e semântica (atribuição de significado e compreensão), Searle
mostrou que o desempenho externo de uma máquina, por mais sofisticado, não
garante que exista uma experiência interna ou uma intencionalidade genuína.
Assim, a IA, mesmo na sua versão “forte”, permanece prisioneira da dimensão
sintática, incapaz de atingir a profundidade da compreensão humana.
O confronto entre Turing
e Searle revela, portanto, duas linhas de reflexão complementares e, ao mesmo
tempo, tensas: de um lado, a aposta numa abordagem operacional que avalia a
inteligência pela performance observável; de outro, a exigência filosófica de
que o conhecimento autêntico implique consciência e intencionalidade.
Em geral, a abordagem nos
permite concluir que, até agora, a IA não pode ser considerada sujeito de
conhecimento, mas sim um instrumento de processamento simbólico e de simulação
de raciocínio. A relevância desta discussão não se limita ao diagnóstico
negativo. Pelo contrário, abre caminho à interrogações mais amplas sobre os
limites da “racionalidade” da maquinas, o estatuto da consciência e a
responsabilidade ética no desenvolvimento tecnológico, impulsionado e
conduzindo pelo Homem.
Filho, O. G. (
2023). Inteligência Artificial e Aprendizagem de Máquina: Aspectos Teóricos
e Aplicações. São Paulo – SP – Brasil: Editora: Blucher.
H. Japiassú, D.
Marcondes. (2001). Dicionário Básico de Filosofía (3 ed.). Rio de
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López, Jorge Jesús, John R. Searle, en Fernández
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Outros
Artigos importantes
Pauletti, Rosa & Fenner.
(2014). «O Sujeito Epistêmico e a Aprendizagem» In, Revista
Electrónica de Psicologia e Epistemologia
Genética 6 (1), p. 5-15.
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(1997), "Descartes’ Epistemology", The Stanford Encyclopedia of Philosophy (Winter 2023 Edition),
Edward N. Zalta & Uri Nodelman (eds.), URL = <https://plato.stanford.edu/archives/win2023/entries/descartes-epistemology/>.
Stern, Robert
and Tony Cheng. (2011), "Transcendental Arguments", The Stanford Encyclopedia of Philosophy
(Fall 2023 Edition), Edward N. Zalta & Uri Nodelman (eds.), URL = <https://plato.stanford.edu/archives/fall2023/entries/transcendental-arguments/>.
[1] Pesquisa de opinião pública
realizada pela Gallup, uma das empresas de pesquisa mais conhecidas e
respeitadas no mundo. Trata-se de uma pesquisa estatísticas feita com amostra
da população para medir opiniões, comportamentos, atitudes ou preferências, sobre
temas sociais, políticos, económicos e mais.
[2] X, poderia ser gentil e dizer-me o
comprimento do seu cabelo?
[3] Eu sou a mulher, não lhe dês
ouvidos!
[4] O que aconteceria se uma máquina
assumisse o papel de A neste jogo? O interrogador discriminaria erradamente com
a mesma frequência que quando o jogo era jogado entre um homem e uma mulher?
[5] Inocentemente não imaginou dos
Bebés Riboni, os robot Optimus de Elon Musck, etc.
[6] Os computadores digitais consistem
em 3 partes: Armazenamentos, unidade executiva e controle.
[7] Completude de Turing significa que
regras seguidas em sequência sobre dados arbitrários podem produzir o resultado
de qualquer cálculo. Todas as linguagens de programação de uso geral e todos os
conjuntos de instruções de máquina modernos são Turing-completos.
[8] Lembremos que integrava a equipe
que montou a famosa máquina (primeiro supercomputador) de Manchester
(Manchester Mark I).
[9] Alan Turing define a máquina de
estados discretos (discrete state machine)
como o modelo fundamental para compreender tanto o funcionamento de
computadores como a própria possibilidade de simulação do pensamento. Segundo
Turing, uma máquina de estados discretos é aquela cujo funcionamento pode ser
descrito como uma sequência de passos claramente definidos, em que cada estado
é distinto do anterior e do seguinte; Entre dois momentos de tempo
consecutivos, a máquina encontra-se num único estado definido (e não em vários
ao mesmo tempo). As mudanças de estado dependem de regras precisas que
relacionam a configuração actual da máquina com a instrução seguinte.
[10] O Teorema de Gödel analisada por
Turing evidencia que as maquinas tem limitações, ou melhor, há sempre problemas
que não seria capaz de resolver, salvo a mente humana. É uma objeção que para
Turing não faz sentido, pois sabemos que sempre existe e vais existir entre
homens, por exemplo, homens mais ou menos inteligentes que outros, situação que
passaria também para as maquinas (dependendo do nível, material e programação
com que foi criado.
[11] Segundo o qual a “a única maneira
segura de provar que uma máquina pensa é ser uma maquina e sentir o seu próprio
pensamento”. Na verdade o que se se refere Jefferson era a ideia de que para
que aceitemos que a máquina pensa, não basta que nos escreva por exemplo algum
texto, é preciso que saiba que escreveu, que tenha consciência que escreveu um
poema de amor, por exemplo.
[12] John Rogers Searle (n. 31 de julho
de 1932) foi um dos filósofos marcantes da era contemporânea, sobretudo nas
áreas da filosofia da mente, da linguagem e da ontologia social (López, 2018,
p. 2). Durantes a formação teria acudido as aulas de Autin e Ryles _ teóricos
da filosofia da mente. Formado em Oxford e professor durante décadas na
Universidade da Califórnia em Berkeley, Searle tornou-se mundialmente conhecido
pelo seu contributo na teoria dos actos de fala e pela crítica ao reducionismo
computacional da mente. Na filosofia da mente, área do nosso maior interesse,
núcleo do seu pensamento encontra-se na defesa da intencionalidade _ a
capacidade da consciência de estar dirigida a algo _ como dimensão essencial e
insubstituível da experiência humana
[13] O objectivo de Schank era: simular
a habilidade humana de compreensão de histórias. Porque é característico na
habilidade dos seres humanos para compreender histórias que estes possam
responder questões sobre elas, mesmo se a informação não estiver explicitamente
dada no texto
[14] Poderia ser interessante
investigar sobre Sistemas Especialistas (SE), lógica clássica e Lógica fuzzy.
[15] É a área da Inteligência
Artificial em que se atribui à máquina a capacidade de aprender por intermédio
dos dados, ou seja, da experiência, sem a necessidade de detalhar as relações
fenomenológicas existentes no problema a ser resolvido, utilizando-se para isto
apenas métodos clássicos de modelagem experimental. A ML é empregada para
resolver problemas de predição (regressão e reconhecimento de padrões), de modo
a obter o valor de uma variável de saída, com base em modelos matemáticos que
mapeiam as entradas nas saídas, de acordo com uma relação de causa e efeito bem
definida entre elas.